Esquema investigado em operação foi revelado em delações de Silval e mais 2

O suposto esquema no Detran-MT envolvendo os nomes do presidente da Assembleia Eduardo Botelho (PSB), do deputado estadual Mauro Savi (PSB), do ex-deputado federal Pedro Henry, de servidores públicos, empresas e particulares, foi citado em, ao menos, três acordos de colaboração premiada (delações).

Todos os citados são alvos da Operação Bereré, deflagrada na manhã desta segunda (19), que cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas e gabinetes dos parlamentares, assim como nas sedes das empresas FDL Serviços de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação Ltda. – atualmente com o nome de EIG Mercados Ltda. -, e a Santos Treinamento Ltda., que teriam sido usadas para lavar dinheiro no esquema.

Conforme apurado pelo rdnews, a investigação iniciada pela Delegacia Especializada em Crimes Contra a Administração Pública (Defaz) é um desdobramento da delação do ex-presidente do Detran Teodoro Moreira Lopes, o “Dóia”, que teria revelado esquemas de corrupção na autarquia, que teria rendido, ao menos, R$ 1 milhão por mês.

A EIG, ligada a Botelho, foi contratada em 2009, sendo responsável pelo registro de financiamentos de contratos de veículos, necessário para o primeiro emplacamento. Até julho de 2015, quando o contrato foi aditivado, a empresa ficava com 90% da arrecadação anual, que girava em torno de R$ 25 milhões, e a autarquia com 10%. Após isso, o Detran passou a receber 50%.

A delação sigilosa de Dóia, homologada pelo do desembargador José Zuquim, do Tribunal de Justiça, é similar com as declarações feitas pelo ex-governador Silval Barbosa (sem partido) e, principalmente, do irmão do político, Antônio Barbosa – delações homologadas pelo ministro Luix Fux, do Supremo Tribunal Federal.

Além disso, desde 2013, a FDL é alvo de ação do Ministério Público Estadual (MPE), que pede a condenação da empresa por supostas ilegalidades no contrato milionário que mantém com a autarquia. Ainda há a suspeita de que tenha praticado a cobrança exorbitante das taxas para o registro de financiamentos de contratos de veículos.

Irmãos Barbosa

Na delação, Antônio afirma que Botelho, Savi e Henry eram beneficiados pela propina paga pela FDL. Segundo ele, em 2010 um representante de Henry o procurou em seu escritório questionando acerca do retorno da empresa FDL, que prestava serviços de gravames de veículos do Detran.

Após o questionamento, Antônio diz que se encontrou com o ex-deputado e esclareceu detalhes de como funcionava os serviços prestados pela FDL e como seria feito o pagamento de propina caso ele aceitasse.

“Na reunião lhe foi explicado que uma empresa de Brasília (FDL) tinha a concessão, e repassava a propina por meio de uma empresa prestadora de serviços em Cuiabá, por meio de laranjas dos políticos beneficiados pelo esquema”, diz trecho da delação.

O irmão de Silval pontua que assim que aceitou receber os valores, recebeu no primeiro mês a importância de R$ 100 mil. O repasse teria se repetido mais de uma vez no mês seguinte. A partir de então, Antônio indicou uma terceira pessoa para receber os valores em nome do ex-governador. Conforme a delação, os valores passaram a girar em torno de R$ 80 mil mensais.

Já Silval declarou que Savi gerenciava cada um dos esquemas nos quais o Detran era partícipe, e chegava até mesmo a escolher quem seria o presidente do órgão.

Fonte: Rdnews